E se existisse uma abordagem da medicina veterinária que vá além dos tratamentos convencionais, focando no bem-estar integral dos animais? Essa é a medicina integrativa veterinária, uma abordagem que combina terapias como acupuntura, fisioterapia, fitoterapia, ozonioterapia, entre outras.

Veterinário demonstra carinho e conexão durante o atendimento, reforçando como a relação de confiança entre profissional e pet é fundamental para a saúde, o bem-estar e a recuperação dos animais. Foto: stock.adobe.com
Indicada para pets idosos, em recuperação pós-cirúrgica ou com doenças crônicas, a medicina integrativa une os tratamentos da medicina veterinária tradicional a terapias complementares. O objetivo é tratar o animal considerando sua realidade como um todo, promovendo bem-estar, alívio das dores e mais qualidade de vida. A prática considera não apenas o problema a ser tratado, mas também fatores como alimentação, ambiente e estado emocional, que podem influenciar a saúde do animal e os resultados desejados.
Enquanto a medicina veterinária tradicional foca em diagnósticos e tratamentos baseados em medicamentos e cirurgias, a integrativa complementa esse cuidado com terapias que estimulam o organismo do animal a se recuperar de forma natural e menos invasiva, acelerando a reabilitação e reduzindo os efeitos colaterais. O médico veterinário fisiatra e professor da Fisio Care Pet Academy, Dr. Alexandre Zebral, explica que uma abordagem não exclui a outra, mas que ambas funcionam de forma complementar.
— É importante que os tutores saibam que a medicina integrativa não substitui a medicina veterinária convencional; ela soma para que seja possível alcançar um resultado mais completo e satisfatório para a saúde do pet.
Ao buscar profissionais especializados nessa abordagem, é importante que o tutor tenha em mente que não existe uma receita única. Cada plano terapêutico é adaptado às necessidades específicas de cada espécie e paciente, e isso deve ser levado em consideração ao optar por uma clínica para atender o animal. Dr. Alexandre explica que a medicina integrativa pode ser aplicada a diversos tipos de animais, mas, em sua rotina, os atendimentos são voltados principalmente a cães e gatos.
Em geral, a equipe responsável por esse tipo de cuidado é multidisciplinar, podendo incluir médicos veterinários especializados em fisioterapia, acupuntura e reabilitação, além de nutricionistas veterinários e profissionais de comportamento animal. Todos trabalham em conjunto para oferecer um atendimento integrado e focado no bem-estar do pet.
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Entre os casos mais comuns que buscam tratamento com essa abordagem estão animais com hérnia de disco, displasia coxofemoral, ruptura de ligamento cruzado, artroses e aqueles que passam por cirurgias ortopédicas, além de pets com mobilidade reduzida e doenças crônicas, geralmente já idosos.
Entre os principais benefícios da medicina integrativa veterinária estão a redução do uso de medicamentos, a melhora do bem-estar geral e a recuperação mais rápida após cirurgias ortopédicas ou neurológicas.
— Muitos tutores relatam que os pets voltam a brincar, correr e demonstrar mais alegria após as sessões — conta o Dr. Alexandre.
A medicina integrativa veterinária não é um milagre, mas pode proporcionar uma melhora significativa na qualidade de vida do animal. Além disso, o envolvimento dos tutores no processo é essencial para o sucesso do tratamento.
Recuperando os movimentos e a alegria
Maria Eduarda é uma vira-latas de 11 anos que, em um dia comum, acordou com sinais de dificuldade de mobilidade que evoluíram rapidamente. Em 72 horas, a cadela perdeu todos os movimentos e passou a ter dificuldade até para beber água sem engasgar. O diagnóstico foi de Polirradiculoneurite, uma doença neurológica rara e grave que afeta os nervos periféricos dos cães, podendo causar paralisia flácida.

Larissa Harfuch, editora de mídias e imagem, conta que esse foi um dos momentos mais difíceis de sua vida. Rapidamente, a tutora providenciou exames e consultas com médicos veterinários de diferentes especialidades até que fosse possível chegar ao diagnóstico e iniciar o tratamento.
— Eu fiquei muito angustiada por vê-la tendo que reaprender a viver sem movimentos. Ela sempre amou andar e se movimentar, e não poder fazer isso atrapalhou até mesmo o sono, que também é regulado pelos movimentos.
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Além de todo o acompanhamento médico especializado, o envolvimento da tutora foi fundamental para a evolução e recuperação da cadela.
— Por três meses, parei o trabalho presencial para conseguir dar todo o suporte e atenção que a Duda precisava enquanto estava tetraplégica.
Mesmo com fisioterapia, uso de medicamentos e exercícios realizados em casa, a previsão da médica neurologista era de que a recuperação da força muscular levasse cerca de seis meses. Já para o fisioterapeuta, esse tempo poderia chegar a um ano, devido à idade da paciente. Por se tratar de um caso raro e grave, Duda passou por sessões de laserterapia, hidrofisioterapia, eletroterapia e magnetoterapia.
Larissa percebeu uma melhora importante quando diferentes formas de tratamento passaram a ser integradas, como a fisioterapia associada ao uso de óleo de cannabis e ao uso do andador. Nesse período, houve melhora no sono, no apetite e menor dificuldade para realizar as necessidades básicas, reflexo do estímulo e fortalecimento muscular promovidos pela medicina integrativa. Para surpresa da tutora, em cerca de três meses Duda voltou a andar bem, superando todas as previsões iniciais.
— Foi um período muito difícil, em que passei a agradecer por cada pequena conquista. A primeira vez que ela coçou a orelha, segurou o ossinho para morder ou conseguiu sentar foram vitórias pequenas e, ao mesmo tempo, grandiosas. Hoje, Duda já consegue até correr sem o uso do andador — comemora Larissa.

Quanto custam as sessões de medicina integrativa veterinária?
O valor das sessões varia de acordo com diferentes fatores, como a avaliação médica para definir o tipo de tratamento, o número de equipamentos utilizados no programa de reabilitação, o tempo de cada sessão e o progresso do paciente ao longo do processo.
Na Fisio Care Pet, rede de centros de reabilitação animal e referência mundial em cuidado e recuperação animal que atua no mercado desde 2010, é possível encontrar sessões a partir de R$ 220,00. Esse valor pode variar conforme a complexidade do tratamento e o tempo necessário para a recuperação do pet.
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As sessões costumam durar entre uma hora e uma hora e meia, podendo variar conforme o número de técnicas aplicadas. Os equipamentos utilizados também influenciam esse tempo. A esteira aquática, por exemplo, é uma técnica que proporciona evolução rápida na recuperação de lesões musculares, paralisias, dores, problemas articulares, mobilidade e confiança do animal. Esse recurso pode reduzir em até 40% o tempo de tratamento, garantindo economia ao tutor e uma recuperação mais eficiente. Segundo a Fisio Care Pet, em casos de paralisia, é possível alcançar em 12 sessões de hidroterapia resultados equivalentes a mais de 20 sessões realizadas em domicílio.